Ir para o conteúdo
RadioCursos
  • Cursos
  • Blog
  • Como funciona
  • Validar certificado
  • Entrar
  • Começar grátis
Início › Blog

Mamografia: incidências CC e MLO e critérios de qualidade

Por Equipe RadioCursos · 19/10/2026 · 6 min de leitura

A mamografia é o exame de imagem usado para o rastreamento e o diagnóstico de alterações na mama. Como as estruturas são pequenas e de contraste sutil, o posicionamento, a compressão e a técnica fazem toda a diferença na qualidade do exame. Aqui estão as incidências básicas e complementares, os critérios de qualidade, o papel do BI-RADS e os cuidados no atendimento.

Equipamento de mamografia em uma sala de exames
Equipamento de mamografia. Foto: Bill Branson (Instituto Nacional do Câncer, EUA) / Wikimedia Commons, domínio público.

Como funciona o mamógrafo

O mamógrafo é um equipamento de raios X projetado só para a mama. Ele trabalha com tensões baixas (em geral entre 25 e 35 kV), que realçam as pequenas diferenças de densidade entre o tecido glandular, a gordura e as calcificações. Os principais componentes são:

  • o tubo de raios X, com anodo e filtros de materiais como molibdênio, ródio ou tungstênio;
  • a pá de compressão, que comprime a mama contra o suporte;
  • o detector, hoje quase sempre digital;
  • a grade antidifusora e o controle automático de exposição;
  • o suporte do detector, que gira para as diferentes incidências.

As duas incidências básicas

  • Craniocaudal (CC): o feixe vai de cima para baixo. Mostra a mama no plano horizontal e ajuda a avaliar a posição das lesões em relação ao mamilo (mais medial ou mais lateral).
  • Médio-lateral oblíqua (MLO): o feixe é oblíquo e inclui parte do músculo peitoral e a região axilar. É a incidência que mostra a maior quantidade de tecido mamário.

Em um exame de rotina, fazem-se as duas incidências em cada mama, o que dá quatro imagens. As imagens das duas mamas devem ser comparadas lado a lado, em espelho.

Profissional de radiologia posicionando uma paciente vestida em um mamógrafo
A profissional posiciona a paciente: a comunicação e o cuidado com o conforto fazem parte da técnica. Foto: Bill Branson (Instituto Nacional do Câncer, EUA) / Wikimedia Commons, domínio público.

Por que a compressão é tão importante

A compressão da mama espalha o tecido, reduz a espessura, diminui a dose de radiação, melhora a nitidez porque limita o movimento e reduz a sobreposição, o que pode esconder lesões. É um momento que exige explicação e cuidado com o paciente. A compressão deve ser firme, mas não deve causar dor insuportável. Explique antes o que vai acontecer, quanto tempo vai durar (alguns segundos) e que a paciente pode avisar se precisar parar.

Critérios de qualidade do posicionamento

  • MLO: músculo peitoral bem visível, idealmente até a altura do mamilo; sulco inframamário aberto; mamilo de perfil; ausência de dobras de pele.
  • CC: mamilo de perfil, centralizado, e parte do músculo peitoral visível quando possível; todo o tecido mamário incluído.
  • Na comparação entre as mamas, as imagens devem ser simétricas.
Mamografia normal em incidência oblíqua mediolateral (MLO), com o mamilo identificado
Mamografia normal, incidência MLO, com o mamilo de perfil. Foto: Cerevisae / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Qualidade da imagem

  • Exposição adequada, com boa visualização do tecido glandular e da gordura.
  • Ausência de artefatos (desodorante, talco, cabelo, roupa e dobras de pele).
  • Marcadores de lateralidade e identificação corretos.
  • Nitidez, sem borramento por movimento.

Incidências complementares

Quando há dúvida ou uma alteração em investigação, o médico pode pedir incidências adicionais:

  • Compressão localizada (spot): comprime só a região de interesse para espalhar o tecido e esclarecer se um achado é real ou apenas sobreposição.
  • Magnificação: amplia detalhes, útil para estudar calcificações.
  • Perfil (ML ou LM): localiza a lesão em altura, em relação ao mamilo.
  • Cleavage (vale): mostra a região medial profunda de ambas as mamas.
  • Axilar e prolongamento axilar (Cleopatra): avalia a região da axila.
  • Técnica de Eklund: em pacientes com implantes, desloca a prótese para estudar melhor o tecido mamário.
Par de mamografias, incidências craniocaudal (CC) e mediolateral oblíqua (MLO), com a região de calcificações agrupadas indicada
Par de incidências CC e MLO, em inglês, com a região de calcificações agrupadas indicada (exemplo didático). Foto: Cerevisae / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.
Mamografia com compressão localizada para esclarecer um achado, com o tecido fibroglandular e a gordura identificados
Compressão localizada: espalha o tecido e ajuda a esclarecer um achado (imagem em inglês). Foto: Cerevisae / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

BI-RADS e densidade mamária

O laudo da mamografia usa o sistema BI-RADS, que padroniza a linguagem e a conduta:

  • 0: exame incompleto, precisa de outras imagens ou de comparação.
  • 1: sem alterações.
  • 2: achados benignos.
  • 3: provavelmente benigno, com controle de curto prazo.
  • 4: suspeito, com indicação de biópsia.
  • 5: alta suspeita de malignidade.
  • 6: malignidade já comprovada por biópsia.

O laudo também descreve a densidade da mama (de A, quase toda gordurosa, a D, extremamente densa). Mamas densas escondem mais lesões, e podem pedir métodos complementares, como ultrassom.

Rastreamento: o que dizem as recomendações

As recomendações de idade e frequência variam entre instituições e sociedades médicas. O INCA, por exemplo, recomenda o rastreamento com mamografia a cada dois anos entre 50 e 69 anos. Sociedades como a Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Febrasgo recomendam a mamografia anual a partir dos 40 anos. Cada mulher deve conversar com o seu médico sobre o que é indicado para o seu caso, principalmente se tiver fatores de risco.

Preparo e orientações à paciente

  • Evitar desodorante, talco e cremes na região das mamas e axilas no dia do exame: podem aparecer como pontos brancos e simular calcificações.
  • Se possível, agendar para a semana seguinte à menstruação, quando as mamas costumam estar menos sensíveis.
  • Levar exames anteriores para comparação.
  • Informar sobre gravidez, implantes, cirurgias, lesões na pele e sintomas.
  • Usar roupa de duas peças, para facilitar o exame.

Dose e proteção

A dose na mamografia é baixa, da ordem de poucos miligrays de dose glandular média por incidência, e é controlada por programas de qualidade, com testes periódicos nos equipamentos (exigidos pela vigilância sanitária). O princípio ALARA vale aqui também: a compressão adequada, a técnica correta e a boa comunicação reduzem repetições. Informar sobre gravidez antes do exame é sempre importante.

Humanização no atendimento

A mamografia envolve exposição do corpo e pode gerar ansiedade. Cuidar do ambiente, garantir privacidade, falar de maneira clara e respeitosa, avisar antes de cada passo e acolher a paciente fazem parte da boa técnica, e melhoram a cooperação e a qualidade das imagens. Também é importante saber que homens podem fazer mamografia em situações específicas, como na ginecomastia ou em casos de suspeita de lesão.

Veja também em vídeo

Vídeo do canal Profª Evelyn, no YouTube, de terceiros: o conteúdo é de responsabilidade do canal. Abrir no YouTube.

Quer estudar o assunto com calma?

O curso livre Mamografia: fundamentos, posicionamento e qualidade aprofunda este tema, com aulas em texto, exercícios, prova online e certificado digital com QR Code. A prévia das aulas é gratuita e não pede cadastro.

Conteúdo educativo. Ele não substitui o texto oficial das normas, o protocolo do seu serviço nem a orientação de um profissional. Em caso de dúvida, consulte sempre a norma vigente e a coordenação do seu curso.

Continue lendo

  • Técnico e tecnólogo em radiologia: jornada, piso salarial e direitos
  • PL 3661/2012: o que muda na lei dos técnicos e tecnólogos em radiologia
  • Radiografia de tórax: incidências PA e perfil e como avaliar a qualidade

Ver todos os artigos

RadioCursos

Cursos livres de atualização, sem conferir grau acadêmico.
RadioCursos

  • Termos de uso
  • Privacidade
  • Cookies
  • Blog
  • Horas complementares
  • Cursos livres
  • Aceitação das horas
  • Validar certificado
  • Contato

Sua privacidade

Usamos cookies essenciais para o site funcionar. Com a sua permissão, também podemos usar cookies de estatísticas e de publicidade. Você escolhe e pode mudar a qualquer momento. Saiba mais na Política de cookies.