Mamografia: incidências CC e MLO e critérios de qualidade
A mamografia é o exame de imagem usado para o rastreamento e o diagnóstico de alterações na mama. Como as estruturas são pequenas e de contraste sutil, o posicionamento, a compressão e a técnica fazem toda a diferença na qualidade do exame. Aqui estão as incidências básicas e complementares, os critérios de qualidade, o papel do BI-RADS e os cuidados no atendimento.

Como funciona o mamógrafo
O mamógrafo é um equipamento de raios X projetado só para a mama. Ele trabalha com tensões baixas (em geral entre 25 e 35 kV), que realçam as pequenas diferenças de densidade entre o tecido glandular, a gordura e as calcificações. Os principais componentes são:
- o tubo de raios X, com anodo e filtros de materiais como molibdênio, ródio ou tungstênio;
- a pá de compressão, que comprime a mama contra o suporte;
- o detector, hoje quase sempre digital;
- a grade antidifusora e o controle automático de exposição;
- o suporte do detector, que gira para as diferentes incidências.
As duas incidências básicas
- Craniocaudal (CC): o feixe vai de cima para baixo. Mostra a mama no plano horizontal e ajuda a avaliar a posição das lesões em relação ao mamilo (mais medial ou mais lateral).
- Médio-lateral oblíqua (MLO): o feixe é oblíquo e inclui parte do músculo peitoral e a região axilar. É a incidência que mostra a maior quantidade de tecido mamário.
Em um exame de rotina, fazem-se as duas incidências em cada mama, o que dá quatro imagens. As imagens das duas mamas devem ser comparadas lado a lado, em espelho.

Por que a compressão é tão importante
A compressão da mama espalha o tecido, reduz a espessura, diminui a dose de radiação, melhora a nitidez porque limita o movimento e reduz a sobreposição, o que pode esconder lesões. É um momento que exige explicação e cuidado com o paciente. A compressão deve ser firme, mas não deve causar dor insuportável. Explique antes o que vai acontecer, quanto tempo vai durar (alguns segundos) e que a paciente pode avisar se precisar parar.
Critérios de qualidade do posicionamento
- MLO: músculo peitoral bem visível, idealmente até a altura do mamilo; sulco inframamário aberto; mamilo de perfil; ausência de dobras de pele.
- CC: mamilo de perfil, centralizado, e parte do músculo peitoral visível quando possível; todo o tecido mamário incluído.
- Na comparação entre as mamas, as imagens devem ser simétricas.

Qualidade da imagem
- Exposição adequada, com boa visualização do tecido glandular e da gordura.
- Ausência de artefatos (desodorante, talco, cabelo, roupa e dobras de pele).
- Marcadores de lateralidade e identificação corretos.
- Nitidez, sem borramento por movimento.
Incidências complementares
Quando há dúvida ou uma alteração em investigação, o médico pode pedir incidências adicionais:
- Compressão localizada (spot): comprime só a região de interesse para espalhar o tecido e esclarecer se um achado é real ou apenas sobreposição.
- Magnificação: amplia detalhes, útil para estudar calcificações.
- Perfil (ML ou LM): localiza a lesão em altura, em relação ao mamilo.
- Cleavage (vale): mostra a região medial profunda de ambas as mamas.
- Axilar e prolongamento axilar (Cleopatra): avalia a região da axila.
- Técnica de Eklund: em pacientes com implantes, desloca a prótese para estudar melhor o tecido mamário.


BI-RADS e densidade mamária
O laudo da mamografia usa o sistema BI-RADS, que padroniza a linguagem e a conduta:
- 0: exame incompleto, precisa de outras imagens ou de comparação.
- 1: sem alterações.
- 2: achados benignos.
- 3: provavelmente benigno, com controle de curto prazo.
- 4: suspeito, com indicação de biópsia.
- 5: alta suspeita de malignidade.
- 6: malignidade já comprovada por biópsia.
O laudo também descreve a densidade da mama (de A, quase toda gordurosa, a D, extremamente densa). Mamas densas escondem mais lesões, e podem pedir métodos complementares, como ultrassom.
Rastreamento: o que dizem as recomendações
As recomendações de idade e frequência variam entre instituições e sociedades médicas. O INCA, por exemplo, recomenda o rastreamento com mamografia a cada dois anos entre 50 e 69 anos. Sociedades como a Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Febrasgo recomendam a mamografia anual a partir dos 40 anos. Cada mulher deve conversar com o seu médico sobre o que é indicado para o seu caso, principalmente se tiver fatores de risco.
Preparo e orientações à paciente
- Evitar desodorante, talco e cremes na região das mamas e axilas no dia do exame: podem aparecer como pontos brancos e simular calcificações.
- Se possível, agendar para a semana seguinte à menstruação, quando as mamas costumam estar menos sensíveis.
- Levar exames anteriores para comparação.
- Informar sobre gravidez, implantes, cirurgias, lesões na pele e sintomas.
- Usar roupa de duas peças, para facilitar o exame.
Dose e proteção
A dose na mamografia é baixa, da ordem de poucos miligrays de dose glandular média por incidência, e é controlada por programas de qualidade, com testes periódicos nos equipamentos (exigidos pela vigilância sanitária). O princípio ALARA vale aqui também: a compressão adequada, a técnica correta e a boa comunicação reduzem repetições. Informar sobre gravidez antes do exame é sempre importante.
Humanização no atendimento
A mamografia envolve exposição do corpo e pode gerar ansiedade. Cuidar do ambiente, garantir privacidade, falar de maneira clara e respeitosa, avisar antes de cada passo e acolher a paciente fazem parte da boa técnica, e melhoram a cooperação e a qualidade das imagens. Também é importante saber que homens podem fazer mamografia em situações específicas, como na ginecomastia ou em casos de suspeita de lesão.
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