Radiografia de tórax: incidências PA e perfil e como avaliar a qualidade
A radiografia de tórax é um dos exames mais pedidos no mundo. Um bom resultado depende de posicionamento correto, técnica adequada e colaboração do paciente, e é com uma imagem de boa qualidade que o médico consegue fazer uma boa avaliação. Neste artigo você vê as incidências de rotina (PA e perfil), a técnica usada, os critérios de qualidade e os erros mais comuns.

Por que a técnica do tórax é especial
O tórax reúne estruturas com densidades muito diferentes: o ar nos pulmões, o coração e os grandes vasos, a coluna, as costelas e o diafragma. Para ver os pulmões com detalhe, mesmo atrás do coração e do osso, usa-se uma técnica própria:
- Alta quilovoltagem (kV): em geral entre 110 e 125 kV, para reduzir o contraste dos ossos e permitir ver os pulmões através deles.
- Tempo de exposição curto: para evitar borramento pelo movimento do coração e da respiração.
- Distância foco-detector longa: cerca de 180 cm, para reduzir a ampliação do coração e melhorar a nitidez.
- Grade antidifusora ou técnica de espaço de ar: para reduzir a radiação espalhada que borra a imagem.
- Controle automático de exposição: com as câmaras laterais (sobre os campos pulmonares) selecionadas.
Incidência PA (póstero-anterior)
É a incidência de rotina. O feixe entra pelas costas e sai pela frente, com o tórax do paciente encostado no detector.
- Paciente em pé (ortostase), de frente para o detector, com o queixo elevado e apoiado no suporte.
- Ombros rodados para frente e dorso das mãos na cintura (ou braços ao redor do detector), para afastar as escápulas dos campos pulmonares.
- Feixe horizontal, com o raio central na região de T7, e distância foco-detector de cerca de 180 cm.
- Exposição ao final de uma inspiração profunda, com o paciente em apneia.


Incidência em perfil
- Paciente em pé, de lado, geralmente com o lado esquerdo junto ao detector, o que reduz a ampliação do coração.
- Braços elevados e cruzados acima da cabeça, para não sobrepor os campos pulmonares.
- Raio central perpendicular, na altura do tórax, e exposição em inspiração profunda.

Outras incidências e situações
- AP (ântero-posterior): usada em pacientes que não podem ficar em pé, em macas ou no leito, em geral com equipamento portátil. A distância costuma ser menor, o coração parece maior e a inspiração é menos profunda. Registre sempre a posição e a técnica.
- Decúbito lateral com raio horizontal: ajuda a ver pequenas quantidades de líquido (derrame pleural) ou de ar (pneumotórax).
- Lordótica: mostra melhor os ápices pulmonares.
- Oblíquas: usadas para avaliar costelas e o mediastino em situações específicas.
- Expiração: pode ajudar a evidenciar um pneumotórax pequeno ou o aprisionamento de ar.
Critérios de qualidade na PA
- Inspiração: costuma-se ver cerca de dez arcos costais posteriores acima do diafragma.
- Rotação: as extremidades mediais das clavículas devem estar equidistantes dos processos espinhosos.
- Penetração: as vértebras devem ser vistas de forma tênue através da sombra cardíaca.
- Escápulas: projetadas fora dos campos pulmonares.
- Campos pulmonares completos: dos ápices aos seios costofrênicos.
- Sem artefatos: cabelo, colares, sutiã com aro, eletrodos e cabos fora da área de interesse.

Critérios de qualidade no perfil
- Esterno de perfil, sem rotação do tórax: as costelas posteriores dos dois lados aparecem quase sobrepostas.
- Braços fora da região dos pulmões.
- Os dois hemidiafragmas e o ângulo costofrênico posterior visíveis.
- Coluna torácica visível, com aumento gradual da transparência de cima para baixo.
Erros comuns e como corrigir
| Problema | Causa provável | Como corrigir |
|---|---|---|
| Inspiração insuficiente (poucos arcos costais) | Paciente não entendeu o comando; exposição no momento errado | Treinar a respiração antes e disparar após inspiração profunda |
| Rotação (clavículas assimétricas) | Ombros ou quadris não alinhados | Alinhar o paciente com o detector, conferir os ombros |
| Imagem clara demais (subpenetrada) | kV ou mAs baixos; câmara do exposímetro mal escolhida | Revisar a técnica e as câmaras do exposímetro |
| Imagem escura demais (superpenetrada) | kV ou mAs altos | Revisar a técnica; atenção ao índice de exposição |
| Escápulas sobre os pulmões | Ombros não rodados para frente | Mãos na cintura e cotovelos para frente |
| Borramento | Movimento ou tempo de exposição longo | Pedir apneia e usar tempo mais curto |
| Artefatos | Cabelo, colar, eletrodos, roupas | Remover ou afastar antes da exposição |
Proteção radiológica no tórax
- Colimar o feixe na região de interesse, sem cortar o ápice nem o seio costofrênico.
- Informar sobre gravidez antes do exame e seguir o protocolo do serviço.
- Evitar repetições com instruções claras de respiração.
- No leito, afastar-se do feixe, usar avental e manter distância segura.
Pacientes com dispositivos e cuidados especiais
Em pacientes internados, é comum haver cateteres, sondas, drenos, eletrodos e marca-passos na região do tórax. Não retire nada sem autorização da equipe de enfermagem ou médica, evite tracionar os dispositivos ao posicionar e registre quando um dispositivo atrapalhar a imagem. Em crianças, use protocolos pediátricos, imobilização adequada e a menor dose possível.
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Conteúdo educativo. Ele não substitui o texto oficial das normas, o protocolo do seu serviço nem a orientação de um profissional. Em caso de dúvida, consulte sempre a norma vigente e a coordenação do seu curso.