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Radiografia de tórax: incidências PA e perfil e como avaliar a qualidade

Por Equipe RadioCursos · 19/10/2026 · 5 min de leitura

A radiografia de tórax é um dos exames mais pedidos no mundo. Um bom resultado depende de posicionamento correto, técnica adequada e colaboração do paciente, e é com uma imagem de boa qualidade que o médico consegue fazer uma boa avaliação. Neste artigo você vê as incidências de rotina (PA e perfil), a técnica usada, os critérios de qualidade e os erros mais comuns.

Sala dedicada à radiografia de tórax, com o tubo de raios X e o suporte vertical do detector
Sala dedicada à radiografia de tórax em um hospital: tubo de raios X de um lado e o bucky mural do outro. Foto: Ptrump16 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Por que a técnica do tórax é especial

O tórax reúne estruturas com densidades muito diferentes: o ar nos pulmões, o coração e os grandes vasos, a coluna, as costelas e o diafragma. Para ver os pulmões com detalhe, mesmo atrás do coração e do osso, usa-se uma técnica própria:

  • Alta quilovoltagem (kV): em geral entre 110 e 125 kV, para reduzir o contraste dos ossos e permitir ver os pulmões através deles.
  • Tempo de exposição curto: para evitar borramento pelo movimento do coração e da respiração.
  • Distância foco-detector longa: cerca de 180 cm, para reduzir a ampliação do coração e melhorar a nitidez.
  • Grade antidifusora ou técnica de espaço de ar: para reduzir a radiação espalhada que borra a imagem.
  • Controle automático de exposição: com as câmaras laterais (sobre os campos pulmonares) selecionadas.

Incidência PA (póstero-anterior)

É a incidência de rotina. O feixe entra pelas costas e sai pela frente, com o tórax do paciente encostado no detector.

  • Paciente em pé (ortostase), de frente para o detector, com o queixo elevado e apoiado no suporte.
  • Ombros rodados para frente e dorso das mãos na cintura (ou braços ao redor do detector), para afastar as escápulas dos campos pulmonares.
  • Feixe horizontal, com o raio central na região de T7, e distância foco-detector de cerca de 180 cm.
  • Exposição ao final de uma inspiração profunda, com o paciente em apneia.
Profissional de radiologia posicionando uma paciente de costas para o tubo, com as mãos na cintura, para a radiografia de tórax
Posicionamento para a radiografia de tórax: a profissional ajusta a colimação e a posição da paciente. Foto: AndyThesis / Wikimedia Commons, CC0 (domínio público).
Radiografia de tórax normal na incidência póstero-anterior (PA)
Radiografia de tórax normal, incidência PA. Foto: Mikael Häggström / Wikimedia Commons, CC0 (domínio público).

Incidência em perfil

  • Paciente em pé, de lado, geralmente com o lado esquerdo junto ao detector, o que reduz a ampliação do coração.
  • Braços elevados e cruzados acima da cabeça, para não sobrepor os campos pulmonares.
  • Raio central perpendicular, na altura do tórax, e exposição em inspiração profunda.
Radiografia de tórax normal na incidência de perfil
Radiografia de tórax normal, incidência de perfil. Foto: Mikael Häggström / Wikimedia Commons, CC0 (domínio público).

Outras incidências e situações

  • AP (ântero-posterior): usada em pacientes que não podem ficar em pé, em macas ou no leito, em geral com equipamento portátil. A distância costuma ser menor, o coração parece maior e a inspiração é menos profunda. Registre sempre a posição e a técnica.
  • Decúbito lateral com raio horizontal: ajuda a ver pequenas quantidades de líquido (derrame pleural) ou de ar (pneumotórax).
  • Lordótica: mostra melhor os ápices pulmonares.
  • Oblíquas: usadas para avaliar costelas e o mediastino em situações específicas.
  • Expiração: pode ajudar a evidenciar um pneumotórax pequeno ou o aprisionamento de ar.

Critérios de qualidade na PA

  • Inspiração: costuma-se ver cerca de dez arcos costais posteriores acima do diafragma.
  • Rotação: as extremidades mediais das clavículas devem estar equidistantes dos processos espinhosos.
  • Penetração: as vértebras devem ser vistas de forma tênue através da sombra cardíaca.
  • Escápulas: projetadas fora dos campos pulmonares.
  • Campos pulmonares completos: dos ápices aos seios costofrênicos.
  • Sem artefatos: cabelo, colares, sutiã com aro, eletrodos e cabos fora da área de interesse.
Radiografia de tórax com as estruturas do mediastino identificadas por cores: coração, aorta, artéria pulmonar, veias e traqueia
Radiografia de tórax com as estruturas do mediastino identificadas (imagem em inglês). Conhecer a anatomia ajuda a julgar o posicionamento. Foto: Mikael Häggström / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Critérios de qualidade no perfil

  • Esterno de perfil, sem rotação do tórax: as costelas posteriores dos dois lados aparecem quase sobrepostas.
  • Braços fora da região dos pulmões.
  • Os dois hemidiafragmas e o ângulo costofrênico posterior visíveis.
  • Coluna torácica visível, com aumento gradual da transparência de cima para baixo.

Erros comuns e como corrigir

Problema Causa provável Como corrigir
Inspiração insuficiente (poucos arcos costais) Paciente não entendeu o comando; exposição no momento errado Treinar a respiração antes e disparar após inspiração profunda
Rotação (clavículas assimétricas) Ombros ou quadris não alinhados Alinhar o paciente com o detector, conferir os ombros
Imagem clara demais (subpenetrada) kV ou mAs baixos; câmara do exposímetro mal escolhida Revisar a técnica e as câmaras do exposímetro
Imagem escura demais (superpenetrada) kV ou mAs altos Revisar a técnica; atenção ao índice de exposição
Escápulas sobre os pulmões Ombros não rodados para frente Mãos na cintura e cotovelos para frente
Borramento Movimento ou tempo de exposição longo Pedir apneia e usar tempo mais curto
Artefatos Cabelo, colar, eletrodos, roupas Remover ou afastar antes da exposição

Proteção radiológica no tórax

  • Colimar o feixe na região de interesse, sem cortar o ápice nem o seio costofrênico.
  • Informar sobre gravidez antes do exame e seguir o protocolo do serviço.
  • Evitar repetições com instruções claras de respiração.
  • No leito, afastar-se do feixe, usar avental e manter distância segura.

Pacientes com dispositivos e cuidados especiais

Em pacientes internados, é comum haver cateteres, sondas, drenos, eletrodos e marca-passos na região do tórax. Não retire nada sem autorização da equipe de enfermagem ou médica, evite tracionar os dispositivos ao posicionar e registre quando um dispositivo atrapalhar a imagem. Em crianças, use protocolos pediátricos, imobilização adequada e a menor dose possível.

Veja também em vídeo

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