Câncer de mama e rastreamento no Brasil
- Situar o câncer de mama no perfil epidemiológico brasileiro.
- Diferenciar mamografia de rastreamento e mamografia diagnóstica.
- Aplicar a diretriz de rastreamento do Ministério da Saúde publicada em 2025 e reconhecer as categorias BI-RADS.
A mamografia é o único exame de imagem com redução de mortalidade comprovada no rastreamento populacional do câncer de mama. Esse resultado, porém, depende de qualidade em cada etapa: indicação correta, posicionamento que inclua todo o tecido mamário, técnica com dose otimizada e equipamento controlado. O profissional das técnicas radiológicas está no centro dessa cadeia. Esta aula apresenta o contexto em que o exame é feito e as regras atuais de rastreamento no Brasil.
1.1.1O câncer de mama no Brasil
Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres brasileiras e uma das principais causas de morte por câncer nesse grupo. Em sua estimativa publicada em 2026, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê cerca de 78,6 mil casos novos para cada ano do triênio 2026–2028, com risco estimado de 71,57 casos por 100 mil mulheres. O câncer de mama também ocorre em homens, mas responde por cerca de 1% dos casos.
A idade é o principal fator de risco: a incidência cresce de forma marcante a partir dos 40 anos e principalmente após os 50. Outros fatores incluem histórico familiar, mutações genéticas (como BRCA1 e BRCA2), exposição prolongada a hormônios, obesidade após a menopausa, consumo de álcool e radioterapia prévia no tórax.
1.1.2Rastreamento e diagnóstico
A mamografia de rastreamento é realizada em mulheres sem sinais ou sintomas, com o objetivo de detectar o câncer em fase inicial, antes de ser palpável. Consiste, em geral, nas duas incidências básicas de cada mama (craniocaudal e mediolateral oblíqua). A mamografia diagnóstica é realizada quando há sinal ou sintoma (nódulo palpável, secreção pelo mamilo, retração de pele) ou para esclarecer um achado do rastreamento; pode incluir incidências complementares, compressão localizada, magnificação e correlação com ultrassonografia.
Essa diferença muda a rotina do serviço: no exame diagnóstico, o médico radiologista frequentemente acompanha o caso e solicita incidências adicionais no mesmo atendimento.