O mamógrafo: feixe, compressão e sistemas digitais
- Identificar os componentes do mamógrafo e explicar por que diferem dos de um aparelho de radiografia geral.
- Relacionar anodo, filtro e quilovoltagem ao contraste da imagem e à dose.
- Reconhecer os requisitos de equipamento da IN Anvisa nº 92/2021 e as tecnologias digitais, incluindo a tomossíntese.
A mama é composta por tecidos de densidades muito parecidas: gordura e tecido fibroglandular diferem pouco na atenuação, e as microcalcificações que podem indicar câncer medem frações de milímetro. Para mostrar essas diferenças, o mamógrafo trabalha com feixe de baixa energia, ponto focal pequeno e compressão. Esta aula explica cada componente e o que a norma brasileira exige dele.
1.3.1Baixa energia para alto contraste
Em energias baixas, a absorção fotoelétrica predomina e é muito sensível a pequenas diferenças de composição dos tecidos. Por isso, a mamografia utiliza quilovoltagens em torno de 25 a 35 kV, bem abaixo das usadas em radiografia geral. O preço é a menor penetração: mamas espessas e densas exigem mais radiação, e a dose depende fortemente da espessura comprimida.
1.3.2Anodo e filtro
A combinação de material do anodo (alvo) e do filtro define o espectro do feixe:
- Molibdênio (Mo) e ródio (Rh): produzem radiação característica em torno de 17 a 23 keV, ideal para mamas finas e médias. Foram o padrão nos sistemas analógicos.
- Tungstênio (W): com filtros de ródio ou prata, é muito usado nos sistemas digitais, porque o detector digital tolera espectro mais energético, o que reduz a dose em mamas espessas e densas.
O filtro remove os fótons de energia muito baixa, que seriam absorvidos pela pele sem contribuir para a imagem, e também os de energia mais alta, que reduziriam o contraste. O controle automático de exposição, nos equipamentos modernos, escolhe a combinação anodo/filtro e o kV de acordo com a espessura e a densidade da mama.
1.3.3Ponto focal, distância e efeito anódico
Para resolver microcalcificações, o ponto focal é pequeno: a IN 92/2021 limita o tamanho nominal a 0,4 mm, e os equipamentos costumam ter foco de 0,3 mm para o exame de rotina e de 0,1 mm para a magnificação. A distância foco-receptor não pode ser inferior a 50 cm.