Prévia gratuita · Módulo 1: Os agentes de contraste

Contrastes à base de gadolínio

Objetivos de aprendizagem
  • Diferenciar agentes de gadolínio lineares e macrocíclicos e relacionar a estrutura à estabilidade.
  • Explicar a fibrose sistêmica nefrogênica e a classificação de risco dos agentes pelo ACR.
  • Conhecer o tema da deposição de gadolínio e suas implicações práticas.

Os agentes de contraste à base de gadolínio (GBCA, do inglês gadolinium-based contrast agents) são usados em grande parte dos exames de ressonância magnética com contraste. O gadolínio livre é tóxico; por isso, nos medicamentos, ele está sempre ligado a uma molécula orgânica chamada quelante. A forma desse quelante determina a estabilidade do agente e está diretamente ligada à sua segurança.

1.3.1Gadolínio e quelação

O íon gadolínio (Gd3+) tem sete elétrons desemparelhados, o que lhe confere forte efeito paramagnético. Livre no organismo, porém, ele pode se depositar em tecidos e interferir em processos dependentes de cálcio. O quelante "envolve" o íon e permite que ele seja eliminado intacto, principalmente pelos rins. Quanto mais estável a ligação, menor a chance de o gadolínio se desprender (dissociação).

1.3.2Lineares e macrocíclicos

Nos agentes lineares, o quelante é uma cadeia aberta que envolve o íon como uma "pinça". Nos macrocíclicos, o quelante forma um anel que aprisiona o íon como em uma "gaiola". Os macrocíclicos são, de forma geral, mais estáveis e liberam menos gadolínio. Além da estrutura, os agentes são classificados como iônicos ou não iônicos.

Comparação esquemática: à esquerda, quelante linear em forma de cadeia aberta ao redor do íon gadolínio; à direita, quelante macrocíclico em forma de anel fechado envolvendo o íon. Legenda indica maior estabilidade do macrocíclico.
Figura 2 — Representação esquemática dos quelantes linear e macrocíclico (não representa a fórmula química real).

1.3.3Fibrose sistêmica nefrogênica

A fibrose sistêmica nefrogênica (FSN) é uma doença fibrosante rara e grave, que afeta pele, articulações e órgãos internos. Foi descrita em pacientes com insuficiência renal grave ou aguda que receberam determinados agentes de gadolínio, sobretudo lineares menos estáveis. Após a adoção de agentes mais estáveis e de critérios de triagem renal, os novos casos tornaram-se extremamente raros.

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