Anatomia radiográfica do tórax
- Identificar as principais estruturas anatômicas visíveis na radiografia de tórax em PA.
- Relacionar a densidade de cada estrutura com a atenuação do feixe e o tom de cinza na imagem.
- Utilizar os pontos de referência de superfície empregados no posicionamento do tórax.
A radiografia de tórax é o exame de imagem mais solicitado nos serviços de saúde. Sua utilidade depende de dois fatores que estão nas mãos do profissional das técnicas radiológicas: o conhecimento da anatomia que se pretende demonstrar e a capacidade de reproduzir, exame após exame, um posicionamento padronizado. Esta aula apresenta a anatomia radiográfica do tórax sob a ótica de quem realiza o exame, isto é, destacando o que precisa aparecer na imagem e quais referências externas permitem localizar as estruturas internas.
1.1.1O tórax como "contraste natural"
O tórax é uma região privilegiada para a radiografia porque reúne, lado a lado, estruturas com atenuações muito diferentes. O ar contido nos pulmões atenua pouco o feixe e aparece escuro (radiotransparente); o coração, os grandes vasos e o diafragma, com densidade semelhante à da água, aparecem em tons intermediários de cinza; os ossos, ricos em cálcio, atenuam muito e aparecem claros (radiopacos). Essa diferença natural de contraste permite visualizar contornos sem o uso de meios de contraste, desde que a técnica preserve tanto o detalhe do parênquima pulmonar quanto a visualização das estruturas sobrepostas ao mediastino.
Na prática, considera-se que a radiografia de tórax trabalha com cinco densidades básicas: ar, gordura, partes moles (água), osso e metal. A interface entre duas densidades diferentes forma uma borda visível; quando duas estruturas de mesma densidade se encostam, a borda entre elas desaparece. Esse princípio, conhecido como sinal da silhueta, é a base de grande parte da interpretação radiológica e explica por que uma consolidação no lobo médio, por exemplo, apaga o contorno direito do coração.
1.1.2Arcabouço ósseo
O arcabouço do tórax é formado pelo esterno, por 12 pares de costelas e pelas 12 vértebras torácicas. Na incidência posteroanterior (PA), as costelas posteriores aparecem mais horizontais e mais nítidas, porque estão mais próximas do receptor; as anteriores descem obliquamente em direção ao esterno e aparecem menos definidas. As clavículas cruzam a porção superior dos campos pulmonares e suas extremidades mediais articulam-se com o manúbrio, junto às articulações esternoclaviculares.
As escápulas ocupam a parede posterior. Quando o paciente não roda os ombros para a frente, as bordas mediais das escápulas se projetam sobre os campos pulmonares e podem simular ou esconder alterações. Por isso, a rotação anterior dos ombros é parte obrigatória do posicionamento em PA.