Fatores técnicos: quilovoltagem, distância e grade
- Justificar o uso de alta quilovoltagem e grade antidifusora na radiografia de tórax.
- Explicar o efeito da distância foco-receptor sobre a magnificação e a nitidez.
- Aplicar a relação entre mAs e distância para manter a exposição do receptor.
A escolha dos fatores de exposição no tórax é um exercício de equilíbrio. A imagem precisa mostrar a trama vascular nos campos pulmonares, que atenuam pouco, e ao mesmo tempo permitir enxergar estruturas atrás do coração e do diafragma, que atenuam muito. A técnica clássica para resolver esse problema combina alta quilovoltagem, tempo curto, grade antidifusora e distância longa.
1.3.1Quilovoltagem e escala de contraste
A quilovoltagem (kV) define a energia dos fótons. Valores altos produzem um feixe mais penetrante, reduzem o contraste entre ossos e partes moles (escala longa de cinzas) e permitem que o feixe atravesse o mediastino. Na radiografia de tórax do adulto em PA com grade, são habituais valores entre 110 e 125 kV, conforme o equipamento e o protocolo do serviço. Com essa energia, as costelas ficam menos destacadas e não "competem" com a trama pulmonar.
Em equipamentos sem grade (como alguns móveis), utilizam-se valores mais baixos, em torno de 80 a 90 kV, para limitar a radiação espalhada que chega ao receptor. Na pediatria, a quilovoltagem é menor e ajustada à espessura da criança.
1.3.2mAs e tempo de exposição
O produto corrente-tempo (mAs) determina a quantidade de fótons. No tórax, o objetivo é usar o menor tempo possível para evitar o borramento causado pelos movimentos cardíacos e respiratórios. Por isso, prefere-se mA alta com tempo curto (frequentemente abaixo de 20 ms em equipamentos de alta frequência). Quando o equipamento dispõe de controle automático de exposição (CAE), seleciona-se o campo (célula) adequado: na PA, em geral, as duas células laterais, sob os pulmões, para que o mediastino não induza superexposição dos campos pulmonares.