Estudo de caso: o acidente radiológico de Goiânia
- Reconstituir a sequência de eventos do acidente de Goiânia.
- Diferenciar irradiação e contaminação.
- Relacionar as falhas do caso aos princípios e às exigências estudados no curso.
Em setembro de 1987, Goiânia foi palco de um dos mais graves acidentes radiológicos já registrados. O caso é estudado internacionalmente porque reúne, em uma única sequência de eventos, praticamente todas as falhas que a proteção radiológica procura evitar.
5.2.1A sequência dos eventos
Em 1985, uma clínica de radioterapia deixou o prédio onde funcionava, e um aparelho de teleterapia contendo uma fonte de cloreto de césio-137, com atividade de 50,9 TBq (1.375 Ci), permaneceu no local, sem vigilância. Em 13 de setembro de 1987, o equipamento foi retirado e desmontado por pessoas que desconheciam o perigo. A cápsula foi rompida, e o pó, que emitia um brilho azulado no escuro, despertou curiosidade: foi manuseado, levado a um ferro-velho e distribuído entre familiares e vizinhos.
Nas semanas seguintes, várias pessoas apresentaram náuseas, vômitos e lesões de pele. Em 29 de setembro, parte do material foi levada à vigilância sanitária; os altos níveis de radiação foram detectados, e a CNEN foi acionada. Começou então uma operação de grande porte: triagem da população no Estádio Olímpico, isolamento dos focos de contaminação, descontaminação de pessoas e residências e atendimento hospitalar dos casos graves.