Grandezas, unidades e ordens de grandeza
- Diferenciar dose absorvida, dose equivalente e dose efetiva.
- Calcular a dose efetiva a partir de doses em órgãos e fatores de ponderação.
- Situar as doses dos exames em relação à radiação natural.
A proteção radiológica precisa de números para comparar riscos, estabelecer limites e verificar se eles são respeitados. Para isso, usa um conjunto de grandezas encadeadas: cada uma parte da anterior e acrescenta uma informação biológica. Confundi-las é um dos erros mais comuns na leitura de normas e relatórios de dose.
1.3.1Dose absorvida
A dose absorvida (D) é a energia depositada pela radiação por unidade de massa do material. Sua unidade é o gray (Gy), que equivale a 1 joule por quilograma. É uma grandeza puramente física: não leva em conta o tipo de radiação nem o órgão atingido.
A energia envolvida é surpreendentemente pequena. Uma dose de corpo inteiro da ordem de 4 Gy, potencialmente letal, deposita 4 J em cada quilograma de tecido. Usando o calor específico da água (cerca de 4.186 J/kg·°C), esse aquecimento seria de apenas:
4 ÷ 4.186 ≈ 0,001 °C
O dano da radiação, portanto, não vem do calor, e sim da ionização de moléculas essenciais, como o DNA.
1.3.2Dose equivalente
Radiações diferentes, com a mesma dose absorvida, causam danos biológicos diferentes. A dose equivalente (HT) corrige essa diferença multiplicando a dose absorvida média em um órgão ou tecido pelo fator de ponderação da radiação (wR). Sua unidade é o sievert (Sv).
| Tipo de radiação | wR |
|---|---|
| Fótons (raios X e gama) e elétrons | 1 |
| Prótons | 2 |
| Partículas alfa e núcleos pesados | 20 |
| Nêutrons | Função contínua da energia |
Como wR = 1 para raios X, em radiodiagnóstico 1 mGy de dose absorvida em um órgão corresponde a 1 mSv de dose equivalente nesse órgão.