Exposição na gestação e na infância
- Relacionar os períodos da gestação aos possíveis efeitos da radiação no embrião e no feto.
- Situar as doses fetais típicas dos exames e conduzir a triagem de gravidez.
- Aplicar as regras da CNEN, da Anvisa e da NR-32 à trabalhadora gestante.
Gestantes e crianças estão entre as situações que mais geram dúvida e ansiedade no serviço de imagem, tanto para os pacientes quanto para a equipe. O tema exige equilíbrio: subestimar o risco expõe sem necessidade quem é mais sensível; superestimá-lo pode levar a negar um exame importante ou a decisões precipitadas sobre a gestação.
2.3.1Efeitos no embrião e no feto
A sensibilidade do concepto varia conforme a fase do desenvolvimento:
- Pré-implantação (até cerca de 2 semanas após a concepção): predomina o efeito "tudo ou nada": doses altas podem impedir a implantação, mas, se o embrião sobrevive, em geral se desenvolve sem malformações.
- Organogênese (aproximadamente da 3ª à 8ª semana): fase de formação dos órgãos, com risco de malformações a partir de doses da ordem de 100 a 200 mGy.
- Período fetal: o sistema nervoso central é especialmente sensível entre a 8ª e a 15ª semana, quando doses altas podem reduzir o desenvolvimento intelectual.
A Publicação 84 da ICRP resume a posição internacional: as doses pré-natais dos exames diagnósticos bem realizados não aumentam de forma mensurável o risco de morte pré-natal, malformação ou prejuízo ao desenvolvimento mental, e doses fetais abaixo de 100 mGy não justificam a interrupção da gestação com base no risco da radiação.
| Exame | Dose fetal média (mGy) |
|---|---|
| Radiografia de tórax | < 0,01 |
| Radiografia de pelve | 1,1 |
| Radiografia de abdome | 1,4 |
| Radiografia de coluna lombar | 1,7 |
| TC de crânio | < 0,005 |
| TC de tórax | 0,06 |
| TC de abdome | 8 |
| TC de pelve | 25 |