Prévia gratuita · Módulo 2: Efeitos biológicos

Reações teciduais e efeitos estocásticos

Objetivos de aprendizagem
  • Caracterizar reações teciduais e efeitos estocásticos quanto a limiar, gravidade e probabilidade.
  • Reconhecer situações do radiodiagnóstico em que reações teciduais podem ocorrer.
  • Compreender a revisão internacional sobre o cristalino e seu reflexo na norma brasileira.

Os efeitos biológicos da radiação se dividem em dois grandes grupos, que diferem na relação com a dose. Essa distinção não é apenas acadêmica: os limites de dose foram construídos para evitar um grupo e controlar o outro.

Dois gráficos: à esquerda, a gravidade dos efeitos determinísticos é zero até um limiar de dose e depois cresce; à direita, a probabilidade dos efeitos estocásticos cresce em linha reta desde a dose zero.
Figura 4 — Reações teciduais têm limiar e gravidade crescente; efeitos estocásticos não têm limiar, e a dose aumenta a probabilidade.

2.2.1Reações teciduais (efeitos determinísticos)

As reações teciduais resultam da morte de um número expressivo de células de um tecido. Apresentam um limiar de dose, abaixo do qual não ocorrem, e, acima dele, sua gravidade aumenta com a dose. Costumam se manifestar em dias, semanas ou meses, com exceção da catarata, que pode levar anos.

Tabela 3 — Limiares aproximados de reações teciduais
ÓrgãoEfeitoLimiar aproximado
PeleEritema2 Gy
PeleDepilação permanente7 Gy
PeleNecrose tardia12 Gy
CristalinoOpacidades e catarata0,5 Gy
TestículosEsterilidade temporária0,15 Gy
OváriosEsterilidade2,5 a 6 Gy
Medula ósseaDepressão da hematopoese0,5 Gy
Fontes: ICRP Publicações 85, 103 e 118.

Nos exames de radiografia convencional, essas doses estão muito distantes. A situação muda nos procedimentos intervencionistas guiados por fluoroscopia, em que o feixe pode permanecer por dezenas de minutos sobre a mesma região da pele.

Situação ilustrativa

Um paciente é submetido a uma angioplastia coronariana complexa, com longo tempo de fluoroscopia e muitas aquisições de imagem, sempre com o tubo sob a mesa e a mesma angulação. Semanas depois, surge uma área avermelhada e dolorosa nas costas, exatamente na região de entrada do feixe. O quadro é uma reação tecidual da pele: a dose local ultrapassou o limiar de eritema.

Situações como essa motivaram a Publicação 85 da ICRP, dedicada a evitar lesões em procedimentos intervencionistas, e explicam práticas como variar a angulação do tubo, registrar indicadores de dose e acompanhar os pacientes que receberam doses elevadas.

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