Artefatos em TC: causas, reconhecimento e correção
- Classificar os artefatos de TC segundo a origem: física, paciente, equipamento ou reconstrução.
- Reconhecer a aparência típica dos principais artefatos e relacioná-la à sua causa.
- Aplicar medidas de prevenção e correção durante o planejamento e a aquisição do exame.
Artefato é qualquer diferença sistemática entre os números de TC da imagem e os coeficientes de atenuação reais do objeto. Artefatos podem simular doenças, esconder lesões ou tornar o exame inútil. Muitos deles podem ser evitados com cuidados simples de posicionamento, orientação do paciente e escolha de parâmetros, que estão nas mãos do tecnólogo. Outros indicam falha do equipamento e exigem comunicação imediata ao responsável técnico e à manutenção.
4.2.1Artefatos de origem física
Endurecimento do feixe
Como vimos na aula 1.2, o feixe é policromático: ao atravessar o paciente, os fótons de menor energia são removidos primeiro e o feixe que emerge é mais "duro" (de maior energia média). Um feixe mais duro é atenuado proporcionalmente menos, e o tomógrafo interpreta essa menor atenuação como tecido menos denso. O resultado aparece de duas formas:
- Efeito em taça (cupping): em um objeto uniforme, o centro aparece mais escuro que a periferia, porque os raios que passam pelo centro atravessam mais material e sofrem maior endurecimento. Os equipamentos corrigem esse efeito para tecidos moles por calibração.
- Faixas e estrias escuras entre estruturas densas: o exemplo clássico é a faixa hipoatenuante entre as porções petrosas dos ossos temporais, na fossa posterior do crânio, que pode prejudicar a avaliação do tronco encefálico. Também ocorre entre os ombros e junto a concentrações altas de contraste.
Efeito de volume parcial
Quando um voxel contém tecidos diferentes, seu número de TC é a média ponderada entre eles. Em cortes espessos, uma estrutura pequena ou a borda de uma estrutura densa podem aparecer com atenuação falsa, e o limite entre duas estruturas fica borrado. Há também uma forma que gera estrias: uma estrutura densa que entra apenas parcialmente no feixe em algumas projeções produz dados inconsistentes. Cortes mais finos reduzem o problema.
Falta de fótons
Em regiões muito atenuantes, como os ombros na projeção lateral ou a pelve de pacientes obesos, poucos fótons chegam ao detector. As medidas ficam muito ruidosas e, após a reconstrução, surgem estrias horizontais grosseiras. A modulação automática de corrente e os algoritmos adaptativos de filtragem reduzem esse artefato.
4.2.2Artefatos relacionados ao paciente
Movimento
Movimentos voluntários (paciente que não mantém a apneia ou mexe a cabeça) ou involuntários (batimentos cardíacos, peristaltismo, tremores) tornam os dados inconsistentes entre projeções. Aparecem como borramento, contornos duplicados e estrias. A prevenção inclui orientação clara antes do exame, treino da apneia, imobilização confortável, tempos de rotação curtos, pitch mais alto e, para o coração, sincronização com o ECG.