Meios de contraste iodados: indicações, riscos e condutas
- Classificar os meios de contraste iodados quanto à estrutura, à osmolalidade e à via de administração.
- Reconhecer os tipos de reações adversas, os fatores de risco e as condutas iniciais esperadas da equipe.
- Aplicar as recomendações atuais sobre função renal, metformina, tireoide, gestação, amamentação e extravasamento.
Grande parte dos exames de TC usa contraste iodado intravenoso para opacificar vasos e realçar órgãos e lesões. O contraste amplia muito a capacidade diagnóstica do método, mas é um medicamento, com indicações, riscos e cuidados próprios. O tecnólogo participa diretamente da sua administração: prepara a bomba injetora, acompanha a injeção e é frequentemente o primeiro a perceber uma reação. Esta aula reúne o que ele precisa saber, com base no Manual de Meios de Contraste do Colégio Americano de Radiologia (ACR), uma das referências mais usadas na área.
6.2.1Por que o iodo realça a imagem
O iodo tem número atômico elevado (Z = 53) e uma energia de ligação da camada K de cerca de 33 keV, próxima das energias médias dos feixes de TC. Por isso ele atenua os raios X muito mais que os tecidos moles, principalmente por efeito fotoelétrico, e quanto menor a tensão do tubo, mais evidente é esse realce (aula 1.2). As moléculas de contraste carregam o iodo pela corrente sanguínea; depois se distribuem no espaço extracelular dos tecidos e são eliminadas quase totalmente pelos rins, sem metabolização.
6.2.2Classificação
- Quanto à estrutura: iônicos, que se dissociam em partículas com carga na solução, e não iônicos, que não se dissociam. Os contrastes intravenosos usados hoje em TC são, na prática, não iônicos.
- Quanto à osmolalidade (concentração de partículas em relação ao plasma): alta osmolalidade (os antigos iônicos, várias vezes mais concentrados que o plasma), baixa osmolalidade (cerca de duas a três vezes a do plasma, os mais usados) e iso-osmolares (com osmolalidade semelhante à do plasma). Contrastes de menor osmolalidade causam menos desconforto e menos reações.
- Quanto à concentração: expressa em miligramas de iodo por mililitro (mgI/mL); em TC, são comuns concentrações entre 300 e 370 mgI/mL. Concentrações maiores aumentam o realce, mas também a viscosidade. Aquecer o frasco à temperatura corporal reduz a viscosidade e facilita a injeção rápida.
As vias mais usadas são a intravenosa, a oral (contraste positivo diluído ou contraste neutro, como a água, para distender e identificar as alças intestinais) e a retal. Outras vias, como a intratecal, só podem usar produtos aprovados especificamente para elas.
Um protocolo hipotético de abdome prevê 1,5 mL/kg de contraste de 350 mgI/mL, com volume máximo de 120 mL. Calcule o volume e a massa de iodo para pacientes de 60 kg e de 95 kg.
60 kg: 1,5 × 60 = 90 mL → 90 × 350 = 31.500 mg ≈ 31,5 g de iodo
95 kg: 1,5 × 95 = 142,5 mL → limitado a 120 mL → 120 × 350 = 42.000 mg = 42 g de iodo
O cálculo pelo peso adapta a dose de iodo ao paciente. Os volumes e limites devem sempre seguir o protocolo do serviço, definido pelo radiologista.