Otimização da dose e níveis de referência de diagnóstico
- Aplicar os princípios de justificação e otimização ao planejamento de exames de TC.
- Explicar o funcionamento da modulação automática de corrente e da seleção automática de tensão e os cuidados que elas exigem.
- Usar níveis de referência de diagnóstico e os valores representativos da IN nº 93/2021 para avaliar protocolos.
A proteção do paciente em exames médicos não se baseia em limites de dose: um paciente pode precisar de várias tomografias, e negar um exame necessário traria mais prejuízo que a radiação. Por isso, a proteção radiológica do paciente apoia-se em dois princípios: a justificação, que pergunta se o exame é necessário, e a otimização, que busca a menor dose compatível com a qualidade diagnóstica exigida. Esta aula reúne as principais ferramentas de otimização em TC e mostra como verificar se os protocolos de um serviço estão adequados.
5.2.1Justificação: o exame certo
A justificação cabe principalmente ao médico solicitante e ao radiologista, que avaliam se a TC é o método mais adequado à pergunta clínica, considerando alternativas sem radiação ionizante, como ultrassonografia e ressonância magnética. O tecnólogo contribui verificando a identificação do paciente e do pedido, a região correta, a existência de exames recentes e a necessidade real de cada fase, e comunicando ao radiologista situações duvidosas, como pedidos repetidos em intervalos curtos ou pacientes gestantes.
5.2.2Modulação automática de corrente
O paciente não tem a mesma atenuação em todas as direções nem em todas as alturas: o tórax atenua menos que os ombros e a pelve, e a projeção lateral do corpo atenua mais que a anteroposterior. A modulação automática de corrente (AEC ou ATCM, de automatic tube current modulation) ajusta a corrente do tubo:
- ao longo do eixo z (modulação longitudinal): mais corrente nos ombros e na pelve, menos no tórax;
- durante a rotação (modulação angular): mais corrente nas projeções laterais, mais atenuantes, e menos nas anteroposteriores.
O operador não escolhe diretamente o mA: ele define um parâmetro de qualidade, que, conforme o fabricante, é um mAs de referência para um paciente padrão ou um índice de ruído desejado. O sistema calcula a corrente a partir da atenuação estimada no topograma. A IN nº 93/2021 exige essa função nos equipamentos, nos casos que especifica.
A modulação depende de um topograma bem feito e de um paciente bem posicionado:
- Centralização: um paciente deslocado verticalmente aparece ampliado ou reduzido no topograma, e o sistema estima a atenuação de forma errada, aumentando ou diminuindo a corrente indevidamente. A dose superficial também aumenta pelo efeito do filtro bowtie (aula 2.1).
- Extensão do topograma: o topograma deve cobrir toda a região a ser examinada; fora dele, o sistema não tem informação para modular.
- Objetos no campo: braços, cabos e objetos metálicos no topograma alteram a estimativa de atenuação.
5.2.3Seleção da tensão e outros parâmetros
Muitos equipamentos oferecem seleção automática de kV, que escolhe a tensão de acordo com o tamanho do paciente e o tipo de exame (por exemplo, valorizando o realce do iodo em angiotomografias). Tensões menores em pacientes pequenos e em estudos contrastados podem reduzir a dose de forma significativa; em pacientes obesos, tensões maiores podem ser necessárias para que fótons suficientes atravessem o corpo.